Ir para o conteúdo
Inteligência artificial · Notícia e análise

Syhus usa IA para redesenhar contabilidade e cresce 25% sem aumentar equipe

Empresa de contabilidade para startups amplia receita e margem EBITDA em 2025 após criar plataforma própria de dados e agentes de IA

Ilustração gerada com IA. Não representa um registro do acontecimento.

A Syhus, empresa brasileira de contabilidade especializada no atendimento a startups, empresas de modelo SaaS, marketplaces, fintechs e negócios digitais, redesenhou sua operação com inteligência artificial e, com essa decisão estratégica, viu a receita crescer 25% em 2025, com a margem EBITDA ampliada em 10 pontos percentuais, sem que fosse necessário expandir a equipe. Essa transformação combinou três frentes: infraestrutura de dados, capacidades de IA e mudança cultural dentro da empresa, preparando a companhia para liberar os profissionais de tarefas repetitivas e operacionais em favor do relacionamento com clientes e da geração de valor.

A empresa foi fundada em 2013 por Cristiano Freitas e hoje mantém uma carteira de cerca de 500 clientes. Entre os nomes que já passaram por sua carteira estão unicórnios brasileiros como Hotmart, Neon, Creditas, Loggi, Conta Simples e Méliuz.

Plataforma própria antes dos agentes de IA

À experiência contábil, empreendedora e de mercado de Cristiano somaram-se os 20 anos de carreira em tecnologia, dados e negócios de Elinton Varalda, que assumiu como CTO, CRO e sócio da Syhus para acelerar uma transformação que já fazia parte da evolução da empresa. Essa sinergia deu à inteligência artificial um papel ainda mais central na estratégia da companhia, cuja tese é retirar progressivamente das pessoas aquilo que pode ser processado pela tecnologia, para que os profissionais se concentrem onde contexto, julgamento, relacionamento e decisão fazem diferença.

O ponto de partida, porém, não foi a escolha de uma ferramenta específica de inteligência artificial. Antes de desenvolver agentes, a Syhus construiu uma plataforma própria para centralizar e estruturar dados provenientes dos diferentes sistemas usados na operação, e essa base se tornou a fundação de todo o novo modelo. Organizada com critérios de qualidade, governança e controle de acesso, a arquitetura reúne informações sobre o perfil e a jornada de cada cliente, integra contatos feitos por WhatsApp, e-mail e portal, e simplifica o envio de documentos — trazendo o contexto necessário para sustentar o desenvolvimento posterior das automações e dos agentes de IA, com experiências personalizadas para os clientes.

Capacitação interna e o caso das notas fiscais

A infraestrutura tecnológica, no entanto, é apenas parte da fórmula: o verdadeiro valor veio da capacitação dos profissionais contábeis que já dominavam os processos da área, habilitados a identificar gargalos, avaliar oportunidades de aplicação de IA e desenvolver soluções ao lado do time de tecnologia. Esse é o formato do programa interno Product Owners AI, que já capacitou 15 dos mais de 80 profissionais da Syhus e segue em evolução: ao longo de três dias, cada participante escolhe uma dificuldade de sua rotina, mapeia as etapas do processo e chega até o ponto em que capacidade limitada, riscos, retrabalho e tempo perdido se acumulam com mais intensidade, para só então partir para o desenvolvimento de uma prova de conceito, que deve apresentar a solução proposta e o retorno esperado para a operação ou para os clientes.

Foi seguindo esse método que Natalia Marques, head de operações da Syhus, identificou uma oportunidade no processo de conferência de notas fiscais. Antes da automação, essa comparação dependia inteiramente do trabalho manual da equipe, que precisava cruzar, com o apoio de planilhas, milhares de documentos registrados em dois sistemas distintos. O agente criado para automatizar essa verificação passou a liberar 660 horas mensais de trabalho da equipe. Com a mudança, a revisão da entrega da IA ficou concentrada em uma única planilha final, aprovada por uma só pessoa — o que permite à empresa crescer sem precisar aumentar sua estrutura na mesma proporção.

Olhar da Hédiz · Análise

Olhar da Hédiz

O caso da Syhus mostra que ganhos de escala com IA em serviços dependem menos da ferramenta e mais da organização dos dados e da capacitação de quem conhece o processo. Para quem gere empresas de serviços ou imobiliárias, a lição possível é que automações pontuais, como a de conferência documental, podem liberar tempo da equipe para atividades de relacionamento, sem substituir a supervisão humana final. O resultado depende do contexto de cada operação e não deve ser tomado como garantia replicável.

Continue aprendendo

Explorar o portal