A Ploomes viu clientes deixarem a plataforma depois de decidirem montar seu próprio CRM com vibe coding, prática de programação assistida por inteligência artificial generativa, cancelando a assinatura do serviço. É o que relata Matheus Pagani, cofundador e CEO da empresa. Segundo ele, uma parte desses clientes já voltou para a Ploomes, e o motivo desse retorno é o que mais chama atenção no episódio.
Pagani explica que, quando o sistema construído internamente pela própria empresa apresenta falhas, é preciso haver alguém capacitado para consertá-lo — e essas empresas simplesmente não tinham suporte técnico para lidar com o problema do outro lado. Por isso, o executivo não trata o episódio como motivo de alívio para o setor. Pelo contrário: ele resume a situação afirmando que a experiência elevou a barra para quem vende CRM como serviço, já que agora os clientes têm um parâmetro concreto de comparação com o que poderiam construir sozinhos.
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Origem da mídiaO que muda no CRM segundo o CEO da Ploomes
Na visão de Pagani, o modelo de CRM baseado apenas em funil de vendas, cadastro de cliente, tarefas e histórico está com os dias contados como proposta de negócio autossuficiente. Essas funcionalidades básicas, segundo ele, tendem a ficar para trás justamente por serem replicáveis com ferramentas de IA generativa. O que continua tendo valor, argumenta o CEO, é a camada que fica por trás da tela: uma inteligência de dados cada vez mais robusta, que ele prefere chamar de contexto em vez de simplesmente dados brutos.
Apesar de reconhecer essa transformação, Pagani rejeita o rótulo de SaaSpocalypse, termo que ganhou força para descrever um suposto fim do software por assinatura diante do avanço da inteligência artificial generativa. Para o executivo, a mudança real não é o fim do modelo, mas o salto na exigência: a IA generativa está pressionando todas as empresas do setor a evoluir muito mais rápido do que evoluíam antes. Segundo ele, essa pressão mudou de natureza — não basta mais oferecer a funcionalidade em si, é preciso entregá-la com implementação mais rápida, mais fácil e com autonomia para que o próprio cliente configure as soluções sem depender de terceiros. Pagani resume o risco de não acompanhar esse ritmo: se a plataforma não tiver velocidade suficiente e a configuração demorar demais, o cliente pode concluir que compensa mais construir o sistema internamente.
Ajustes internos e fusão com a Sankhya
Para responder a esse novo ritmo de exigência, a Ploomes mudou sua forma de planejar o produto: em vez de ciclos anuais, a empresa passou a organizar o trabalho em blocos de três meses, o que levou a companhia a refazer quase todo o roadmap que havia sido traçado para o ano, segundo Pagani. Paralelamente a essa reorganização, o próprio CEO decidiu retomar o chamado founder mode, voltando a se envolver diretamente no desenvolvimento do produto, movimento que ele descreve como comum entre fundadores de empresas de SaaS diante de momentos de pressão competitiva.
Esse reposicionamento interno ocorre no mesmo período em que a Ploomes atravessou uma fusão com a Sankhya. A operação, segundo Pagani, teve dois efeitos práticos: permitiu um exit parcial aos fundadores da Ploomes e abriu caminho para a expansão da empresa combinada pela América Latina, ampliando o alcance geográfico do negócio para além do mercado em que a Ploomes já atuava.
Olhar da Hédiz · Análise
Olhar da Hédiz
Para quem decide sobre tecnologia em uma empresa, o relato de Pagani sugere que a ameaça da IA generativa ao CRM tradicional é real, mas não elimina a necessidade de suporte estruturado. Quando sistemas caseiros falham, a ausência de um time técnico dedicado pode custar caro em tempo e operação parada.
Isso não significa que soluções próprias sejam inviáveis, mas indica que a decisão entre construir ou contratar deve pesar não só a funcionalidade, e sim a capacidade de manutenção contínua e evolução rápida diante de novas demandas.



